quarta-feira, 19 de abril de 2023

Ecossistemas Digitais em Rede – Discussão na Sala de Aula Virtual (parte 4)

 

Após a discussão que decorreu através do fórum na Sala de Aula Virtual, tivemos a oportunidade de continuar a construir conhecimento sobre este tema numa sessão online. Apresento em seguida a minha reflexão acerca do que foi referido nessa sessão.

 

De um modo geral, foi discutido de que forma é que os ecossistemas digitais em rede e os ambientes virtuais de aprendizagem são temas importantes na educação atual e devem ser integrados de forma consciente e intencional para aprimorar a forma como implementamos as diferentes pedagogias.

 

Começou por debater-se a ideia de que o digital pode ser concebido como um habitat, dado que na sociedade em rede em que vivemos atualmente, passamos cada vez mais tempo a navegar na internet e a interagir com as mais variadas tecnologias. Tal como um verdadeiro habitat natural, um ecossistema digital tem os seus próprios recursos e habitantes, caraterizando-se a partir das aplicações, redes sociais e plataformas LMS utilizadas, por exemplo, bem como pelas interações sociais que existem entre os seus habitantes.

 

Passou-se depois à reflexão sobre o caráter instrumental do digital na educação, salientando-se que o digital não deve ser encarado apenas como uma ferramenta, mas sim como um ambiente, e deve ser enquadrado nas metodologias utilizadas para melhorar a educação, adequando-se aos estudantes (faixa etária, domínio da tecnologia, ciclo de ensino, etc.), em função dos quais as realidades são construídas.

Não faz sentido considerar que o digital vem para substituir o presencial; os ambientes virtuais e digitais não substituem a presença física, mas são complementares, permitindo uma educação ubíqua que incorpore diferentes ambientes analógicos ou digitais, com ou sem rede. A interação entre participantes humanos e não humanos é fundamental para o sucesso do ensino, e as atuações pedagógicas dos professores fazem toda a diferença. Em resumo, os ecossistemas digitais em rede e os ambientes virtuais de aprendizagem devem ser utilizados de forma consciente e intencional, visando aprimorar as pedagogias, e adequando-os sempre às necessidades dos alunos e às metodologias já utilizadas pelos professores.

 

Por fim foi debatida a forma como a integração do online e do offline pode contribuir para o desenvolvimento de uma educação onlife. De facto, esta integração permite que os alunos possam aprender de forma mais completa e holística, aproveitando o melhor dos dois mundos. Por exemplo, as aulas presenciais podem ser combinadas com atividades online, como aulas virtuais, discussões em fóruns online, apresentações de trabalhos via plataformas digitais.  Além disso, esta forma de trabalhar permite que os alunos tenham acesso a conteúdos e recursos atualizados e relevantes, que possam ser encontrados online, bem como a possibilidade de interagir com estudantes e professores de todo o mundo. Ora é precisamente esta combinação dos dois ambientes que permite que os estudantes possam explorar diferentes formas de aprendizagem.

Outra vantagem da integração do online e do offline na educação onlife é que ela pode promover a equidade, a inclusão e o desenvolvimento da literacia digital dos estudantes permitindo que mesmo aqueles que não têm recursos (financeiros ou outros) possam ter acesso a conteúdos educativos de qualidade. Em resumo, a integração do online e do offline pode contribuir significativamente para diminuir das desigualdades e promover uma educação mais completa, inovadora e acessível, que possa preparar os alunos para um mundo cada vez mais conectado e digital.

 

terça-feira, 18 de abril de 2023

Ecossistemas Digitais em Rede – Discussão na Sala de Aula Virtual (parte 3)

 

Continuando a análise e comentário das intervenções dos meus colegas de curso na discussão na sala de aula virtual, vou referir agora o contributo da Maria Vinagre, que começou por focar a sua intervenção na importância da interação no funcionamento de ecossistemas de educação digital em rede, que considera terem o potencial de romper com o ensino tradicional.

Fundamentou-se na bibliografia recomendada, destacando que, segundo os autores Schlemmer e Moreira (2019), a educação na rede exige uma abordagem pedagógica diferenciada, uma vez que o estudante do século XXI está cada vez mais habituado a pesquisar na internet, a utilizar redes sociais e a aprender através de plataformas digitais, pelo que se torna essencial criar ambientes de aprendizagem que possam contribuir para a promoção do conhecimento, das ideias e do espírito empreendedor.

Refere o modelo pedagógico virtual "Community of Inquiry" proposto por Garrison, Anderson e Archer (2000), que se destaca pela promoção de uma experiência colaborativa e cooperativa, intersecionando os planos social, cognitivo e de ensino.

Concordo que a ideia expressa pela Conceição, de que o professor mantém um papel fundamental dentro do ecossistema digital em rede, embora adaptado aos tempos modernos, sendo que a exposição e centralização do saber cedem lugar à gestão e orientação dos estudantes, que são, cada vez mais, protagonistas do próprio processo de aprendizagem. No entanto, considero que continua a haver situações em que os métodos expositivos podem e devem ser utilizados, dependendo da idade dos estudantes, do tema em estudo, dos objetivos da formação, etc., e que o papel do professor se deverá tornar progressivamente menos diretivo à medida que os estudantes evoluem na sua autonomia e capacidade de autoavaliação.

Tendo em vista a melhoria da qualidade do ensino, considero que é muito importante que os ecossistemas digitais em rede, independentemente das pedagogias que utilizam, proporcionem experiências de aprendizagem que sejam, simultaneamente, envolventes e significativas, de forma a atender às necessidades específicas de uma diversidade de estudantes.

Questionada acerca da visão dualista que expressou, a Conceição argumentou que a exposição continua a ser uma competência importante a ser desenvolvida pelos estudantes, mas questiona a sua eficácia como modelo pedagógico. Referiu os quatro modelos pedagógicos virtuais apresentados pelos autores Moreira, Henriques, Barros, Goulão e Caeiro (2020), que sugerem que o papel do professor está mais relacionado com a gestão e orientação do processo de aprendizagem do que com a transmissão de conhecimento, e referiu que, na sua experiência como professora e estudante em ambientes virtuais, os professores têm um papel mais ativo na promoção da pesquisa, discussão e produção de conhecimento do que na exposição direta.

Partilho da mesma ideia relativamente à minha experiência enquanto estudante neste curso de mestrado, mas vivi situações bastantes diversas enquanto frequentei outros níveis de ensino, pelo que não consigo ser tão categórica.

Também sou docente e valorizo muito a aprendizagem em interação, mas tento sempre alternar espaços e tempos de trabalho autónomo, trabalho colaborativo e de exposição, numas vezes atuando como orientadora pouco interventiva, noutras orquestrando a discussão coletiva em sala de aula, e noutras ainda assumindo uma postura mais expositiva e supervisiva.

Penso que, da mesma forma que integramos o digital com o analógico, temos de encontrar formas de integrar ferramentas, metodologias e abordagens pedagógicas que nos permitam diferenciar, motivar os alunos e potenciar o seu sucesso.

segunda-feira, 17 de abril de 2023

Ecossistemas Digitais em Rede – Discussão na Sala de Aula Virtual (parte 2)

 

Na sequência do post anterior, e dado que não me foi possível colaborar na discussão enquanto ela decorreu, vou salientar e comentar acerca dos aspetos que considerei mais interessantes e enriquecedores que foram debatidos.

A primeira intervenção (Pedro Videira) começou por lançar uma ideia muito interessante, a de que o ecossistema digital é um "habitat" onde todas as gerações futuras irão viver, incluindo os atores humanos (AH) e os atores não humanos (ANH), e está em constante evolução.

Nunca tinha pensado nesta analogia com um habitat, mas agora parece-me extremamente adequada. De facto, os estudantes vivem cada vez mais imersos em tecnologias digitais com as quais interagem, acabando por estabelecer relações pessoais e profissionais através dessas tecnologias, ou até mesmo, estabelecer relações de aprendizagem humano-máquina. Tal como um ecossistema, que vai mudando e evoluindo com o tempo e as interações entre os seus habitantes, também estes ambientes de aprendizagem podem assumir diferentes configuração, adaptando-se aos objetivos e às necessidades dos seus habitantes: estudantes, professores, mentores, outros especialistas, administradores de sistemas ou outras organizações que colaboram com as instituições educativas. Dentro desse ecossistema digital, por exemplo, esta plataforma moodle, podem ser criados diferentes ambientes de aprendizagem, um dos quais esta Sala de Aula Virtual onde trocamos ideias e aprendemos uns com os outros.

O Pedro refere também que (nesse futuro) os ambientes digitais serão híbridos, fluidos e interligados por redes de relações, criando um habitar “atópico", sendo que este hibridismo potencia as interações entre atores humanos e não humanos através de tecnologias analógicas ou digitais. Por fim, refere ainda o papel de destaque da Universidade Aberta (UAb) enquanto precursora de ambientes virtuais de aprendizagem, baseados em princípios como ensino centrado no estudante, flexibilidade de acesso à aprendizagem, interação diversificada e inclusão digital.

A meu ver, este futuro está ainda longe de chegar às escolas em Portugal, apesar de estar em marcha um plano para promover a sua digitalização. Para que se possam efetivamente criar ecossistemas digitais em rede nas escolas é necessário fazer compreender a todos os intervenientes (ou habitantes!) que a tecnologia por si só não é garantia de qualidade, nem de inovação, e que só pondo o digital ao serviço da pedagogia se poderão melhorar práticas de ensino e de aprendizagem. Nesse futuro, que também imagino híbrido, deveria ser possível conceder autonomia aos docentes e às escolas para conseguirem integrar as componentes físicas e virtuais do trabalho, quer dos alunos quer dos docentes.

Ecossistemas Digitais em Rede – Discussão na Sala de Aula Virtual (parte 1)

 

Foi-nos solicitado que, com base na visualização do vídeo disponibilizado e na opinião dos autores consultados, apresentássemos a nossa opinião relativamente à possibilidade de desenvolver um ecossistema de educação digital composto por diferentes ambientes de aprendizagem.

 

Foi ainda lançada a seguinte questão para reflexão:

O que é um Ecossistema de Educação Digital, como se pode desenvolver, quem são os seus "habitantes", que ambientes podem ser criados, que configurações pode assumir?

 

A minha participação nesta discussão, que pecou por tardia, foi a seguinte.

 

Apesar de não ter conseguido participar atempadamente neste fórum de discussão devido a constrangimentos pessoais, fui fazendo as minhas leituras e reflexões pessoais sobre o tema, que gostaria de ainda partilhar convosco.

Esta temática é muito interessante para mim enquanto professora porque compreende, a meu ver, o que será o futuro da escola no pós-pandemia. Tenho muita curiosidade em perceber como podemos criar ambientes híbridos de aprendizagem e a forma como se operacionaliza o currículo em tais ambientes.

Numa altura em que tanto se fala do digital e do virtual, é urgente pensar a virtualidade como algo que efetivamente existe, mas que nos remete para outras realidades (físicas, analógicas, digitais) e há a necessidade de construir uma Escola que seja enriquecida pela via digital, não apenas pela via das ferramentas e infraestruturas, mas pela via da inovação pedagógica com o digital. Nós, professores, temos de aprender a articular o trabalho em diferentes ambientes, que podem ter muito trabalho em rede, mas que se enriquecem pedagogicamente com a dimensão digital que lhe acrescentamos.

As Escolas, os Conselhos Pedagógicos das Escolas, têm de considerar o tempo que os alunos já passam em rede e refletir sobre a necessidade de criar os ecossistemas pedagógicos que permitam criar explorar este potencial ambiente de aprendizagem, bem como as opções diferenciadas que ele nos permite. Assim sendo os PADDE das Escolas devem ser construídos tendo em conta as realidades pedagógicas específicas de cada Agrupamento, de forma a que se criem propostas de trabalho em ambientes físicos articulados com o virtual, dentro das caraterísticas físicas e humanas de cada comunidade escolar, e no sentido de melhorar as práticas em termos de hibridismo. Cabe às lideranças definir o projeto pedagógico de cada agrupamento e pensar a melhor forma de mobilizar o seu corpo docente, percebendo e fazendo perceber aos outros de que forma o digital contribui para potenciar o projeto educativo do Agrupamento.

Neste sentido, penso que um ecossistema de educação digital deve ser compreendido como um ambiente de aprendizagem em que os recursos, digitais e analógicos devem ser utilizados de forma integrada e revestida de intencionalidade pedagógica por professores e alunos, mas também envolvendo os seus restantes agentes. A comunicação entre todos os intervenientes e as redes de colaboração são um ponto chave para o sucesso destes ambientes de aprendizagem.

Dependendo dos constrangimentos de cada instituição educativa (que podem ser desde os recursos materiais à formação dos seus recursos humanos), diferentes ambientes de aprendizagem podem ser criados, desde as simples equipas de trabalho numa plataforma LMS até a laboratórios digitais com simuladores interativos, totalmente personalizados de acordo com os interesses dos alunos, modalidades de trabalho facilitadoras e atenção a necessidades específicas de aprendizagem, por exemplo. Penso que a palavra chave aqui é PERSONALIZAÇÃO da experiência de aprendizagem, e sua adequação ao contexto da comunidade escolar, em particular dos alunos.

domingo, 16 de abril de 2023

‘That’s Why It’s Important to me to Rethink Education Entirely!’ – Bibliografia anotada e comentada

 

Sugiro a todos os interessados no tema “Ecossistemas Digitais em Rede”, a leitura do seguinte artigo: https://visionsforeurope.eu/v4e-articles/thats-why-its-important-to-me-to-rethink-education-entirely/.

Este artigo alerta para a importância de se repensar a educação se queremos que ela seja capaz de preparar os estudantes para o futuro. Um dos conceitos definidos e discutidos é precisamente o dos ecossistemas digitais em rede na educação, que se refere a ambientes de aprendizagem interligados através da tecnologia para estabelecer comunicação entre estudantes, professores e recursos (humanos ou tecnológicos).

 As principais potencialidades da implementação de ecossistemas digitais em rede na educação incluem:

- Aprendizagem personalizada: os estudantes podem aceder a recursos adaptados às suas necessidades e interesses;

- Colaboração: é facilitada a colaboração, a partilha de conhecimento e a resolução cooperativa de problemas entre intervenientes que podem estar em qualquer parte do mundo;

- Acessibilidade: a aprendizagem torna-se acessível aos estudantes que podem não ter forma de aceder aos recursos tradicionais (por razões económicas ou necessidades educativas especiais, por exemplo).

- Flexibilidade: é possível aos estudantes aprender, onde e quando quiserem, respeitando os ritmos e horários de cada um.

De um modo geral, a implementação de ecossistemas digitais em rede na educação pode potenciar o desenvolvimento das competências e capacidades de que os estudantes precisam para serem bem-sucedidos, numa perspetiva de aprendizagem ao longo da vida.

Modalidade da pós-graduação stricto sensu em discussão: dos modelos de EaD aos ecossistemas de inovação num contexto híbrido e multimodal. – Bibliografia anotada e comentada

 

Este artigo discute a modalidade de ensino a distância (EaD) em programas de pós-graduação stricto sensu no contexto atual de hibridismo e multimodalidade, começando por apresentar o conceito de EaD e sua evolução histórica, pondo a tónica no aparecimento e desenvolvimento de modelos híbridos e multimodais de ensino. Em seguida, discute a inclusão de tecnologias digitais na educação, o que tem permitido não só a expansão da EaD mas também o desenvolvimento e o enriquecimento e diversificação de novos modelos de ensino e aprendizagem.

O texto aborda a importância da inovação na educação e apresenta os ecossistemas de inovação como uma forma de fomentar essa mesma inovação através da criatividade e da colaboração no contexto educacional.

Por fim, o artigo conclui com uma reflexão sobre a modalidade de EaD em programas de pós-graduação stricto sensu, considerando os modelos híbridos e multimodais e a necessidade de adaptação à mudança integrando a novidade nos processos educacionais.

 

Esta leitura levou-me a refletir sobre o papel da EaD no contexto atual de sociedade da informação e do conhecimento, sob duas perspetivas. A primeira relacionada com a forma como as mudanças tecnológicas afetam a própria estrutura da sociedade e a relação dos indivíduos com o conhecimento. A segunda pela importância da educação, seja ela em que modalidade e contexto for, para a formação de futuros cidadãos conscientes, dotados de competências digitais e, simultaneamente, de capacidade crítica, que lhes permita agir neste novo contexto.

Considerei especialmente interessante que, dentro dos modelos de EaD sejam destacadas as diferenças entre o ensino síncrono e assíncrono, realçando que esta dualidade é tão ou mais relevante como a que opões ensino presencial e a distância.

Também sou da opinião que as principais vantagens da EaD estão relacionadas com a flexibilidade e a democratização do acesso ao conhecimento. É interessante que tenham sido apontados como maiores desafios a necessidade de superar barreiras como a falta de interação face a face e a necessidade de uma gestão mais eficiente do tempo e dos recursos disponíveis, mais do que as dificuldades técnicas e de recursos propriamente ditos. Esta minha ressalva é motivada pela perceção que tenho, através da implementação dos Planos de Desenvolvimento Digital nas Escolas, que se está a investir em equipamentos e recursos como se estes, por si só, forem o garante da inclusão digital quando, na realidade, não se estão a criar as condições para que a apropriação do digital se concretize de forma consistente e permanente.

 

 

REFERÊNCIAS:

SCHLEMMER, Eliane & MOREIRA, J. António (2019). Modalidade da pós-graduação stricto sensu em discussão: dos modelos de EaD aos ecossistemas de inovação num contexto híbrido e multimodal. Revista Educação Unisinos. 23(4), 689-708, outubro-dezembro 2019

Educação Digital e Ecossistemas de Aprendizagem em Rede

 

Neste tema fomos desafiados a refletir sobre as potencialidades e desafios que a aprendizagem em rede e o software social podem trazer para os sistemas educativos, suas instituições e seus profissionais.

 

Numa primeira abordagem, fiz o visionamento e análise comentada do recurso vídeo sugerido pelo Professor António Moreira, e que pode ser acedido aqui: Era Híbrida, Educação Disruptiva eAmbientes de Aprendizagem.

Ideias-chave do vídeo:

Vivemos numa era de transição e de mudança, onde o mundo digital ou pós-digital se integra com a realidade passada e presente e perspetiva o futuro. Neste contexto, a educação é uma das áreas que mais tem sido afetada pelas transformações quer tecnológicas quer sociais.

Para nos adaptarmos a esta nova realidade, é necessário construir uma educação híbrida, mas que não se restrinja ao hibridismo da modalidade presencial e a modalidade a distância combinadas. É preciso repensar o que é a educação a distância hoje em dia, do ponto de vista conceptual, e encontrar novas formas de integrar as metodologias tradicionais com as metodologias ativas, utilizando as ferramentas digitais em interação com os livros e outros recursos analógicos.

A educação híbrida não se limita a uma combinação de aulas presenciais e aulas online. Ela envolve a ligação entre espaços e a interação entre seres humanos e inteligência artificial. É necessário combinar pedagogias de diferentes naturezas, recorrendo a ferramentas que as possam potenciar e abrangendo a pluralidade e a indefinição de fronteiras, inclusive as da sala de aula.

A educação analógico-digital faz mais sentido em diferentes espaços, ultrapassando a dualidade presencial-distância, com metodologias diferenciadas e flexíveis, que se adaptem às necessidades e características dos alunos. A educação híbrida deve ser construída com base na integração de múltiplos recursos, tecnologias e metodologias, visando a promoção de uma aprendizagem mais significativa e eficaz, que prepare os alunos para os desafios do futuro.

 




 

 

Manual de Ferramentas da Web 2.0 para Professores - Bibliografia anotada e comentada

Nesta publicação da DGIDC é discutido de forma breve o impacto da World Wide Web na educação e o seu contributo para a melhoria das práticas educativas.

É inegável que a evolução da Web veio facilitar o acesso a uma quantidade imensa de informação e de recursos, proporcionando o desenvolvimento de novas formas de comunicação e de colaboração, e globalizou o acesso ao ensino a distância. Com ela surgiram várias oportunidades em educação, plataformas de aprendizagem online, bibliotecas digitais, cursos e universidades totalmente baseadas online, salas de aula virtuais, etc., que permitem criar experiências de aprendizagem personalizadas e flexíveis que tornam a educação cada vez mais universal e acessível a um crescente número de estudantes.

Para os docentes, a Web proporciona também possibilidades de trabalho colaborativo, de criação e partilha de recursos digitais e de reflexão e discussão com uma rede alargada de educadores num espaço e tempo flexíveis. São inúmeras as oportunidades de desenvolvimento profissional e de aprendizagem ao longo da vida que se apresentam disponíveis através da Web.

Para além de apresentar várias ferramentas e a forma como podem ser utilizadas para apoiar as práticas educativas dos docentes, esta obra destaca ainda alguns dos desafios que surgem associados à utilização da Web na educação, destacando-se as preocupações com o desenvolvimento da literacia digital (de docentes e estudantes), com a segurança online, e com as questões relacionadas com a igualdade de acesso e a equidade.

Para além do seu caráter prático, enquanto manual de apoio à utilização de certas ferramentas digitais pelos professores, a obra contextualiza os contributos da World Wide Web para a educação no sentido de proporcionar oportunidades de inovação e melhoria, não deixando de salientar que a integração das tecnologias da Web só será efetiva se estivermos conscientes dos seus desafios e riscos tanto quanto das suas potencialidades.

 

Pessoalmente, considero importante destacar a importância da internet no acesso à informação, tanto por parte de educadores como de estudantes, a partir de qualquer lugar e em qualquer momento, permitindo o acesso global (muitas vezes gratuito) a recursos que, de outra forma, estariam ao acesso de muito poucos. Para além disso, a internet permitiu a disseminação e popularização do ensino a distância, permitindo que estudantes acedam a cursos e formações online a partir de qualquer parte do mundo.

Apesar de não garantir, por si só, melhores práticas pedagógicas, a Web tem tido um impacto positivo na educação, proporcionando aos professores e formadores oportunidades para inovar e melhorar as suas práticas de ensino e permitindo às instituições educativas alcançar um público mais vasto, aumentando assim o acesso à educação.

 

REFERÊNCIAS:

CARVALHO, A. (org.). Manual de Ferramentas da Web 2.0 para professores. Lisboa: Direção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, Ministério da Educação.


Portefólios digitais: revisitando os princípios e renovando as práticas. – Bibliografia anotada e comentada

 

O texto contextualiza a utilização de portefólios na educação, em particular os portefólios digitais, as suas potencialidades enquanto meio de apoio à aprendizagem e também como instrumento de avaliação, e aborda a forma como os blogues podem ser utilizados como ferramenta de apoio a esta abordagem.

Os portefólios são mais do que uma compilação de trabalhos que documentam o trabalho de um indivíduo, devendo refletir igualmente a sua aprendizagem e o seu desenvolvimento, evidenciando progressos. Desta forma, podem ser utilizados para fins de auto e heteroavaliação, evidenciando as aprendizagens concretizadas e competências desenvolvidas.

A grande mais-valia dos portefólios para a educação é precisamente o facto de proporcionarem e encorajarem a autorreflexão, a autoavaliação e o desenvolvimento de uma atitude crítica do indivíduo face ao seu desempenho. Desta forma, permitem aos estudantes tornarem-se protagonistas do seu próprio processo de aprendizagem e concretizar, de forma personalizada, a demonstração das aprendizagens por si realizadas.

É referido que o recurso a portefólios digitais amplia os benefícios e vantagens já reconhecidos aos portefólios, em termos de aprendizagens e da avaliação das mesmas, dado permitir a integração de elementos multimédia (em formato vídeo e áudio, interativos ou não). De facto, estes elementos podem contribuir para experiências de aprendizagem mais envolventes, para além de possibilitarem aos alunos expressarem-se de forma mais autêntica, conforme o seu modo de aprender e de mobilizar e aplicar as aprendizagens.

Neste sentido, os blogues são mencionados como uma ferramenta com muito potencial para a construção de portefólios digitais em educação, constituindo uma plataforma flexível e que oferece múltiplas possibilidades de personalização, através da qual os estudantes podem mostrar o seu trabalho, partilhá-lo com a rede de contactos do seu ambiente pessoal de aprendizagem e refletir de forma individual e coletiva sobre as suas experiências de aprendizagem. Num blogue é bastante fácil organizar e apresentar de forma apelativa a informação pretendida, e dar-lhe visibilidade online, dependendo da intencionalidade de cada um fomentar ou não a sua divulgação de forma a fomentar a componente colaborativa. Os blogues são também, pela sua natureza, espaços onde a interação e colaboração é facilitada e encorajada, através dos comentários de outros estudantes e dos professores, que podem suscitar reflexão e impulso para evoluir através do feedback que dão. No âmbito deste curso, Pedagogia do eLearning, a utilização de portefólios digitais em formato de blogue tem ainda o potencial acrescido de contribuir para a construção ou reforço da nossa presença profissional online.

 

REFERÊNCIAS:

GOMES, M. J. (2006). Portefólios digitais: revisitando os princípios e renovando as práticas. Actas do VII Colóquio sobre questões curriculares. Braga: CIED, pp. 295-306.

Ambientes Virtuais de Aprendizagem - Portefólio Digital

Este blog foi criado no âmbito da unidade curricular Ambientes Virtuais de Aprendizagem, podendo ser acedido de forma independente enquanto registo do percurso reflexivo de aprendizagem feito nesta unidade específica, ou através do blog de curso (Estudante mPeL) que agrega todo o trabalho realizado enquanto estudante do curso de Mestrado em Pedagogia do eLearning da Universidade Aberta.

Enquanto estudante, pretendo que este seja parte importante do meu ambiente pessoal de aprendizagem, enquanto registo do meu esforço, trabalho, dificuldades e progressos realizados. Para além dos trabalhos solicitados, servirá também de espaço de reflexão acerca das leituras e aprendizagens feitas, e dos contratempos com que me deparei.

Alguns dos posts que irei publicar nos próximos dias estarão desfasados do tempo em que foram escritos por ter iniciado este portefólio digital num outro formato que constatei não ser o mais adequado. É uma aprendizagem... e faz-se de avanços e recuos desde o primeiro instante!