sexta-feira, 30 de junho de 2023

Sala de Aula Virtual 2- Tecnologias e Softwares para a Criação de AVAs

 

Na primeira semana de março fomos desafiados pelo Professor António Moreira a refletir e discutir o tema que dá título a este post, tendo como ponto de partida a questão:

 

Que pressupostos e critérios devemos usar para selecionar as plataformas e as tecnologias digitais mais adequadas para desenvolver o processo de ensino e aprendizagem?

 

A discussão foi muito participada, tendo havido troca de opiniões pessoais, argumentações mais ou menos fundamentadas em autores que lemos, e algumas intervenções do professor que nos levaram a aprofundar mais determinados ou conceitos ou a esclarecer ideias e posições que estavam a ser defendidas.

O Pedro iniciou a discussão, salientando a importância do ensino híbrido e sugerindo alguns pressupostos cruciais para a seleção de plataformas, incluindo objetivos de aprendizagem claros, adequação e alinhamento com as metas de aprendizagem, necessidade de garantir a acessibilidade e usabilidade, fiabilidade e segurança das plataformas, apoio técnico e análise de custos.

A Leila também se baseou no conceito de blended learning,  destacando a necessidade de combinar diferentes espaços, metodologias e tecnologias no processo de ensino-aprendizagem. Referiu que as aprendizagens fora do ambiente escolar sempre existiram, mas que a internet tornou fundamental que se eduque para a análise crítica das informações que proliferam. Destacou ainda a importância do papel dos professores na seleção de plataformas e tecnologias adequadas e mencionou a importância da comunicação, interação, colaboração muito fundamentada nas pedagogias socio construtivistas e conectivista.

A Sónia Afonso também apoiou a ideia de que a educação deve ser híbrida, combinando a presença física e a digital, a aprendizagem síncrona e a assíncrona e as tecnologias analógicas e digitais. Considerou que a interatividade e a flexibilidade dos conteúdos, do tempo e das plataformas são também determinantes para o sucesso dos alunos, principalmente se acompanhadas da presença digital dos professores, fator crucial para manter a motivação e a interação social dos alunos em ambientes de aprendizagem digital.

O Deric concordou com a perspetiva de Leila sobre a utilização de plataformas de redes sociais nas aulas, considerando que  os professores devem usar plataformas abertas, defendendo a criação de alternativas abertas pelo governo, preocupando-o a falta de regulamentação e de respeito pela privacidade de dados pessoais nas plataformas onde os educadores utilizam dados dos seus alunos.

A este propósito, o Professor António Moreira recordou a importância de se criarem ecossistemas educativos seguros, referindo que o professor, ao criar espaços de aprendizagem online, precisa de ter em conta os potenciais riscos de segurança, e que é necessário refletir sobre as implicações da abertura total dos ambientes educativos.

A discussão prosseguiu com os intervenientes a concordarem na generalidade com os pressupostos e princípios inicialmente apontados pelo Pedro, havendo referências à importância da intencionalidade pedagógica na seleção e uso de tecnologias e plataformas digitais na educação, considerando-se fundamental que os professores definam os objetivos que pretendem que os alunos atinjam e, em função disso, escolham os recursos, analógicos ou digitais, que estejam alinhados com esses objetivos.

Foi também referida a importância da personalização da aprendizagem e da acessibilidade na integração das tecnologias digitais. As plataformas e tecnologias devem ser escolhidas de forma a atender às necessidades educativas individuais de cada aluno e é necessário garantir que são acessíveis a todos os alunos, considerando as suas capacidades ou limitações pessoais, bem como a facilidade de acesso à própria tecnologia.

 

A formação dos professores foi também referida como sendo crucial para que se dê a integração eficaz das tecnologias digitais na educação. Os professores precisam receber formação adequada não apenas sobre as competências técnicas, mas também sobre como integrar efetivamente as tecnologias nas suas práticas de ensino.

Ainda em relação às ideias inicialmente lançadas pelo Pedro, foi também discutida a relevância dos jogos online e da realidade imersiva enquanto componentes dos AVA eficazes, relativamente à qual não se chegou a um consenso. Por um lado, é reconhecido o valor dos jogos e ambientes imersivos para motivar os alunos, por outro é preciso enfatizar que, para que estes possam de facto apoiar a aprendizagem dos alunos, é necessário que a sua utilização esteja revestida de uma abordagem pedagógica adequada.


Em jeito de conclusão e resumo, pode dizer-se que desta discussão se concluiu que para selecionar as plataformas e as tecnologias digitais mais adequadas para desenvolver o processo de ensino e aprendizagem devemos privilegiar a intencionalidade pedagógica, a personalização da aprendizagem e a acessibilidade; e que para que tal aconteça, é necessário criar condições ao nível da formação de professores e promover a reflexão sobre as práticas atuais na integração de tecnologias digitais na educação.

Ambientes Virtuais de Aprendizagem em Matemática

 

Na sequência das pesquisas que fiz e das reflexões apresentadas nos posts anteriores, resolvi reunir alguns exemplos de como a tecnologia pode ser usada em sala de aula, na disciplina de Matemática (que eu leciono), e de como ultrapassar as limitações que possam estar a desencorajar os professores mais céticos:

·       Para tentar ultrapassar a falta de literacia digital de alguns alunos e permitir que todos tenham condições de acessibilidade e desenvolvam progressivamente a sua familiaridade com os recursos digitais, os professores podem começar por integrar no seu AVA plataformas online como o GeoGebra ou a Khan Academy que, para além de serem bastante intuitivas, disponibilizam aos utilizadores tutoriais, demonstrações online  e exercícios práticos por grau de dificuldade que vão exigindo um domínio progressivo das ferramentas. Desta forma os alunos desenvolvem a sua autonomia e evoluem ao seu ritmo, permitindo ao professor acompanhar os progressos e ir dando feedback em conformidade.

 

·       As inovações tecnológicas podem facilitar a compreensão de conceitos e o desenvolvimento de capacidades e competências de nível superior. Podemos pensar, por exemplo, no GeoGebra 3D Calculator (que permite visualizar objetos geométricos em 3D e explorar conceitos matemáticos a partir deles) ou no Prodigy Math Game (uma plataforma de gamificação que permite envolver os alunos na aprendizagem através de jogos educativos).

 

·       A tecnologia pode também ser usada para promover a interação pessoal, entre os alunos, e entre os alunos e o professor, seja em contextos de ensino a distância, seja num AVA baseado no ensino presencial, mas enriquecido com a tecnologia. Podemos usar plataformas de videoconferência, como o Google Meet ou o Zoom para a realização de aulas síncronas ou sessões de esclarecimentos de dúvidas, por exemplo. É também possível utilizar fóruns online (no Microsoft Teams, Moodle, entre outros) em que se discutem ideias de forma assíncrona e, se necessário, elaborar vídeos explicativos sobre os temas que suscitam mais dificuldades.

 

·       Pensando nas escolas portuguesas, seria bom que os professores começassem a riqueza de poderem combinar o uso de recursos online fora da aula com atividades em sala de aula, numa perspetiva de flipped classroom, por exemplo), reservando o tempo de trabalho presencial para a resolução de problemas em grupos/pares ou discussões coletivas com a turma, desenvolvendo a comunicação matemática, a colaboração e a interação pessoal.

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Tecnologias emergentes e o seu uso em Educação

 

Análise de texto e reflexão baseada em:

Siemens, G., & Tittenberger, P. (2009). Handbook of Emerging Technologies for Learning.

Disponível online em:

Handbook of Emerging Technologies

 

O documento referido acima é um manual que explora o papel da tecnologia na educação e aborda os desafios e preocupações que os educadores enfrentam ao incorporar a tecnologia nas suas práticas de ensino. Contextualiza o panorama de mudanças e evolução na educação como fruto das tendências globais, sociais, políticas e tecnológicas e salienta a necessidade do conhecimento pedagógico para além do digital, principalmente no ensino a distância, bem como a importância de envolver os alunos no processo.

O manual refere também o impacto da fragmentação da informação bem como o papel da tecnologia na criação, validação e disseminação da informação e do conhecimento. Discute também as pressões e tendências que estão a moldar o futuro da educação, em particular a permanente evolução e digitalização de sociedade em rede em que vivemos.

Desta leitura penso que é interessante refletirmos sobre as seguintes questões:

  • ·      Quais são os principais desafios que os educadores enfrentam quando tentam incorporar a tecnologia nas suas práticas? E como é que esses desafios poderão ser minimizados ou ultrapassados?
  • ·      Como é que a tecnologia pode ser utilizada para envolver os alunos e melhorar as suas experiências de aprendizagem?
  • ·      De que forma é que a tecnologia tem impacto na criação, validação e disseminação da informação, e como é que os professores podem limitar, neste contexto, o seu impacto negativo?
  • ·      Como é que os educadores podem usar a tecnologia para garantir melhores práticas pedagógicas no ensino a distância?
  • ·      Que estratégias podem ser utilizadas para promover melhores aprendizagens em ambientes virtuais?

 

Este manual apresenta algumas formas como os educadores podem incorporar a tecnologia nas suas atividades de ensino e aprendizagem, sublinhando a importância da fluência tecnológica de docentes e discentes. Reitera, no entanto, a necessidade de equilíbrio entre a interação com tecnologia e a interação com o professor (mediada ou não pela tecnologia). É ainda abordada a ideia de como a tecnologia pode enriquecer o manancial de práticas pedagógicas dentro da sala de aula e fora dela, e de como facilita o acesso a especialistas e recursos fora da instituição.

 

Refletindo sobre a forma como os professores podem incorporar as tecnologias nas suas práticas, coloco algumas questões para os mais interessados no tema refletirem. São também elas que norteiam as minhas aprendizagens relativamente a este tema.

  • ·      Como é que podemos integrar eficazmente a tecnologia (na disciplina de Matemática, por exemplo) para melhorar a aprendizagem dos alunos?
  • ·      Como é que podemos tirar partido das oportunidades de acesso a especializadas e recursos através das tecnologias digitais para criar experiências de aprendizagem significativas?
  • ·      Como podemos encontrar um equilíbrio entre a interação com a tecnologia e a interação presencial com os alunos?
  • ·      Quais são os principais benefícios e os principais desafios da incorporação da tecnologia nas salas de aula tradicionais, nas escolas portuguesas?
  • ·      Como podemos promover nos alunos o desenvolvimento da fluência tecnológica e da literacia da informação?
  • ·      O que devemos ter em mente ao planear, desenvolver e ensinar com tecnologia?

segunda-feira, 26 de junho de 2023

Planificar atividades de aprendizagem em ambientes híbridos

 

Análise de texto e reflexão baseada em:

Moreira, J. A., & Horta, M. J. . (2020). Educação e ambientes híbridos de aprendizagem: um processo de inovação sustentada. Revista UFG, 20(26).

https://doi.org/10.5216/revufg.v20.66027

 

 

Tendo vindo a discutir-se, em posts anteriores, como os modelos de ensino e aprendizagem híbridos permitem criar experiências enriquecedoras e inovadoras, vamos agora ver de que forma os professores e educadores devem planificar as atividades a desenvolver em blended learning.

Tal como em qualquer outro contexto de educação ou formação, é fundamental realizar uma planificação a longo prazo das atividades de aprendizagem a promover para tirar o melhor partido de cada recurso disponível e de cada atividade, de forma a atingir os objetivos pretendidos. No caso específico destes modelos de ensino, é necessário dedicar ainda mais tempo à preparação, uma vez que a combinação e integração dos diferentes ambientes e recursos requer uma gestão pedagógica mais complexa.


Os principais cuidados que o professor deve ter na planificação de atividades de aprendizagem em ambientes híbridos envolvem, numa fase prévia:

·  Realizar a planificação com rigor e antecedência relativamente ao início do ano letivo ou do curso/módulo respetivo.

·  Experimentar softwares e aplicações que sejam intuitivos/de fácil utilização por parte dos alunos garantindo a acessibilidade de todos.

· Definir as estratégias pedagógicas e selecionar os recursos adequados em cada ambiente.

·  Planear a criação de conteúdos ou a sua seleção e eventual adaptação com a devida antecedência.

·   Criar um Guia Pedagógico que informe os alunos sobre: o que se espera que aprendam, as modalidades de trabalho, os recursos, as atividades a realizar, e os produtos esperados/avaliação.

·    Garantir a articulação entre os objetivos que se espera atingir e as atividades e recursos, e a sua clareza para os alunos no Guia Pedagógico.

·      Disponibilizar o Guia Pedagógico completo aos alunos antes do início das atividades.


Há depois outros cuidados a ter durante a implementação e no apoio aos alunos, que devem ser planeados antecipadamente:

·  Orientar os alunos no estabelecimento de prioridades, calendarizando antecipadamente as atividades a desenvolver e estabelecendo os prazos para a avaliação.

·  Auxiliar os alunos, especialmente no que se refere ao trabalho autónomo, prevendo a necessidade de apoio e orientação no sequenciamento de tarefas.

· Evitar sobrecarga de trabalho para os alunos, integrando as atividades nos diferentes ambientes onde irão ser realizadas.

·     Combinar o uso dos espaços de aprendizagem de forma integrada, evitando a repetição e sobreposição de atividades da mesta natureza ou com o mesmo objetivo.

·      Promover o papel ativo do estudante, incentivando a interação com o professor, com os colegas e com os recursos.

· Promover o desenvolvimento da autonomia, incentivando o desenvolvimento de projetos de pesquisa e a exploração de novos conteúdos.

· Estimular a comunicação, discussão e colaboração entre os participantes nos diferentes espaços de aprendizagem.

·      Antecipar dificuldades que possam surgir, desenvolvendo atividades alternativas ou prevendo o uso de outros recursos, mo âmbito de um plano flexível que permita lidar com imprevistos ou necessidades impreteríveis de alteração da planificação, sem comprometer os objetivos inicialmente estabelecidos no Guia.

Modelos de ensino e aprendizagem híbridos

 

Análise de texto e reflexão baseada em:

Moreira, J. A., & Horta, M. J. . (2020). Educação e ambientes híbridos de aprendizagem: um processo de inovação sustentada. Revista UFG, 20(26).

https://doi.org/10.5216/revufg.v20.66027

 

 

Já foi referido em posts anteriores como os modelos de ensino e aprendizagem híbridos permitem criar experiências enriquecedoras e inovadoras. Vamos agora ver como se pode tirar partido das potencialidades dos ambientes virtuais integrando-as com as das salas de aula tradicionais (físicas).

Existem quatro modelos principais de blended learning categorizados pelo Clayton Christensen Institute: Modelo de Rotação, Modelo Flex, Modelo Self-Blend e Modelo Virtual Enriquecido.

 

Modelo de Rotação: Os alunos alternam entre diferentes ambientes de aprendizagem, em que pelo menos uma das atividades decorre online. Existem quatro submodelos dentro deste: Rotação por Estações, Laboratório Rotacional, Sala de Aula Invertida e Rotação Individual.

 

·      Rotação por Estações: Os alunos circulam entre diferentes estações de aprendizagem, realizando atividades colaborativas ou individuais (pelo menos uma estação é online).

 

·      Laboratório Rotacional: Os alunos alternam entre a sala de aula tradicional e um laboratório de informática (onde decorrem as atividades online).

 

 

·      Sala de Aula Invertida: Os alunos estudam e acedem à informação online fora da aula (em casa), realizando na sala de aula as discussões de ideias e conceitos, e os exercícios práticos.

 

·      Rotação Individual: Cada aluno possui um roteiro de trabalho individualizado, que pode não passar por todas as estações disponíveis, permitindo uma personalização da experiência de aprendizagem adaptada às necessidades específicas e capacidades individuais de cada um.

 

Modelo Flex: As atividades online constituem o cerne do processo de ensino e aprendizagem, permitindo aos alunos uma experiência flexível, adaptada ao ritmo individual de cada um, sendo apoiada pelo professor (presencialmente ou a distância – online).

 

Modelo Self-Blend: Há uma desmaterialização da sala de aula tradicional no sentido em que os alunos desenvolvem todas as atividades de aprendizagem em ambientes virtuais, com professores online (podendo, no entanto, ocorrer atividades presenciais na escola).

 

Modelo Virtual Enriquecido: Combina sessões presenciais com sessões online, sendo, no entanto, privilegiada a componente virtual.

 

É importante destacar que existem outras propostas de modelos híbridos além dos mencionados acima, e outras classificações consoante a distinção seja feita mais com base nas questões pedagógicas ou nas tecnológicas. Ressalva-se ainda que os diferentes modelos acima apresentados podem ser combinados para criar roteiros personalizados de aprendizagem.

 

Resumem-se de seguida as principais caraterísticas de cada um dos modelos de blended learning descritos:

 

Modelo de Blended Learning:

Caraterística principal

Potencialidades

Limitações

Modelo de Rotação

Alternância entre diferentes ambientes de aprendizagem

Combinação de atividades colaborativas e individuais

Necessidade de tempo e espaço dedicado na sala de aula física

Modelo Flex

Atividades online no cerne do processo

Rotina flexível e personalizável

Requer apoio tanto online quanto offline

Modelo Self-Blend

Atividades de aprendizagem em ambientes virtuais geridas pelo aluno

Professores online para apoio e suporte

Dependência do acesso à internet (recursos virtuais)

Modelo Virtual Enriquecido

Combina sessões online e presenciais (na escola)

É privilegiada a componente virtual

Pouca interação física entre os participantes, requer infraestrutura tecnológica adequada

 

Blended learning e ambientes de aprendizagem híbridos

 

Análise de texto e reflexão baseada em:

Moreira, J. A., & Horta, M. J. . (2020). Educação e ambientes híbridos de aprendizagem: um processo de inovação sustentada. Revista UFG, 20(26).

https://doi.org/10.5216/revufg.v20.66027

 

 

O blended learning é uma estratégia dinâmica que pode envolver diferentes ambientes de aprendizagem (tanto físicos como virtuais), combinar diferentes abordagens pedagógicas, e tirar partido de vários recursos tecnológicos, promovendo interações entre agentes humanos e não-humanos, distinguindo-se pela flexibilidade e personalização das situações de ensino e aprendizagem que proporciona.

No texto acima referido destaca-se que o blended learning pode ser implementado de forma eficaz em diferentes níveis de ensino, desde que haja uma planificação cuidada e pedagogicamente fundamentada incorporação dos diferentes ambientes de aprendizagem bem como uma organização pensada das ações a ter lugar nesses espaços da qual resulte uma experiência de aprendizagem integrada.

É feita uma referência ao projeto Future Classroom Lab, uma iniciativa da European Schoolnet, que visa repensar o papel da pedagogia, da tecnologia e da organização espacial das salas de aula de modo a criar ambientes inovadores de ensino e aprendizagem em espaços flexíveis e tecnologicamente enriquecidos. Um estudo realizado no nosso país sobre ambientes educativos inovadores (AEI), inspirados no Future Classroom Lab, comprovou que estes proporcionam o desenvolvimento de competências transversais não meramente académicas nos alunos, como a autonomia e a autoestima, para além do desenvolvimento das suas competências digitais. Da parte dos alunos há relatos de experiências muito positivas relativamente às aprendizagens realizadas, um aumento da motivação e a melhoria dos resultados escolares. Do lado dos professores registaram-se opiniões muito favoráveis à continuidade da implementação do projeto, bem como à reflexão e partilha, no âmbito da sua prática profissional, da sua experiência no contexto da implementação dos AEIs.

Sendo amplamente reconhecido que estes ambientes podem proporcionar experiências de aprendizagem valiosas e promover o desenvolvimento de competências essenciais nos alunos, e ainda de influenciar positivamente a melhoria das práticas pedagógicas dos professores, importa refletir sobre algumas questões:

- Como é que os professores podem tirar o melhor partido desta abordagem flexível e inovadora, combinando diferentes ambientes e recursos de aprendizagem?

- Quais são os maiores desafios à implementação do Blended learning em escolas e espaços físicos de aprendizagem? E em modelos de ensino e aprendizagem a distância?

- De que forma é que a integração das tecnologias digitais em ambientes híbridos de aprendizagem contribui para melhorar a experiência de aprendizagem dos alunos?

- Que competências essenciais pretendemos desenvolver nos alunos e de que forma a integração de tecnologia contribui para esse fim?

- Que experiências de aprendizagem híbrida podem os professores criar tendo em vista a promoção da autonomia dos alunos, da colaboração e do desenvolvimento do seu pensamento crítico?

domingo, 25 de junho de 2023

Educação e Ambientes Híbridos de Aprendizagem. Um Processo de Inovação Sustentada. - Leitura comentada

 

Moreira, J. A., & Horta, M. J. . (2020). Educação e ambientes híbridos de aprendizagem: um processo de inovação sustentada. Revista UFG, 20(26).

https://doi.org/10.5216/revufg.v20.66027

 

 

A evolução das tecnologias digitais e a globalização conduziram a mudanças significativas na sociedade, dando origem a novos paradigmas, modelos e processos de comunicação na educação, que se tem vindo a tornar progressivamente híbrida.

A educação "unblended" já não é concebível, e a questão central em termos pedagógicos deve ser como combinar os diferentes elementos, exigindo-se uma reestruturação dos processos de ensino e transformações culturais nas instituições e entre os atores educativos.

O conceito de educação híbrida coloca a tónica na inovação sustentada e engloba a presença física e digital, as tecnologias analógicas e digitais, a cultura pré-digital e digital, bem como os ambientes analógicos e digitais.

 

O texto aborda as mudanças significativas decorrentes da globalização, da evolução das tecnologias e do aceleramento da transição para o ensino online, provocado pela pandemia da COVID-19, evidenciando as potencialidades e as dificuldades do ensino à distância e o papel fundamental das escolas enquanto agentes promotores da cidadania e da presença do digital na educação. Refere os modelos híbridos que permitem a integração de vários ambientes de aprendizagem e apresenta propostas de planeamento e gestão de atividades de aprendizagem nesses ambientes. O conceito de ensino híbrido é apresentado como uma forma de combinar a presença física e digital, a aprendizagem síncrona e assíncrona e as tecnologias analógicas e digitais.

O texto salienta a necessidade de adotar estratégias dinâmicas que incorporem diversos recursos tecnológicos, abordagens pedagógicas e processos de comunicação, e refere que a interatividade nos ambientes digitais intensifica o sentido de cooperação, promovendo a participação, a colaboração e as interações entre os envolvidos. E defendido o ensino híbrido, pela inovação sustentável, e não pela mudança disruptiva, combinando as vantagens das salas de aula físicas com o ensino online.

Este texto pretende ainda fornecer modelos e conceitos para apoiar professores e educadores no planeamento e na gestão de atividades de aprendizagem em ambientes híbridos, que aprofundarei nos próximos posts.

 

Para já, ficam as questões para reflexão:

·      Como é que as tecnologias digitais e a globalização transformaram a educação e levaram ao aparecimento de ambientes de aprendizagem híbridos?

·      De que forma é que estas mudanças exigem uma reestruturação dos processos de ensino

·      Quais são os elementos chave do ensino híbrido abordados no texto?

·      Como é que a presença física e a digital, as tecnologias analógicas e as digitais, a cultura pré-digital e a digital contribuem para o conceito de inovação sustentada na educação?

Tecnologias Interativas da Web Social Para a Criação de Ambientes Virtuais de Aprendizagem

 Neste tema pretende-se desenvolver a capacidade de pesquisar e explorar tecnologias que enriqueçam os ambientes virtuais de aprendizagem e de selecionar e utilizar as tecnologias que se alinhem com os objetivos educativos, bem como os recursos a integrar nos ambientes virtuais de forma a enriquecer as experiências de aprendizagem dos alunos.

Numa primeira abordagem, fiz o visionamento e análise comentada do recurso vídeo sugerido pelo Professor António Moreira, e que pode ser acedido aqui:

Tecnologias Digitais a Serviço da Educação a Distância.

 

Neste vídeo do SIED (Simpósio Internacional de Educação a Distância), o Professor José António Moreira destaca a importância das tecnologias digitais no contexto da educação, enfatizando que elas servem como auxiliares na implementação das metodologias a implementar, enquadradas nas molduras pedagógicas escolhidas pelos docentes.

Moreira salienta a importância de incorporar a tecnologia na educação devido à natureza digital da nossa sociedade, em que os alunos, desde o ensino básico até ao ensino superior, já estão imersos na tecnologia em várias dimensões do seu quotidiano. No entanto, também salienta que, embora a tecnologia desempenhe um papel vital, deve ser dada igual atenção às estratégias pedagógicas e às metodologias de ensino, uma vez que estas constituem a base para uma integração eficaz da tecnologia. O professor reitera que a tecnologia deve ser vista como um elemento auxiliar e não central, sendo o papel do professor essencial no processo educativo.

Para garantir o sucesso desta integração da tecnologia na educação, Moreira salienta a necessidade de formação dos professores, tanto para conhecerem e conseguirem utilizar as tecnologias disponíveis, como para as integrarem de forma eficaz e revestida de intencionalidade pedagógica no processo de ensino e aprendizagem.

De um modo geral, o vídeo realça a importância de considerar tanto o domínio tecnológico como o da pedagogia para que a integração das tecnologias digitais na educação seja profícua, reconhecendo a evolução do panorama digital em que vivemos.

 

 

Depois de assistir a este vídeo e refletir sobre a integração das tecnologias digitais no ensino, considerando a minha experiência pessoal (enquanto estudante deste mestrado e enquanto formanda em diversas ações de formação online), formulei algumas questões que espero conseguir aprofundar ao longo deste tema:

- Como é que podemos tirar partido das competências digitais que os estudantes possuem (fruto de uma aprendizagem informal) e usam no quotidiano para a sua mobilização no âmbito do processo educativo? Como é que podemos colmatar as lacunas existentes?

- O Professor António Moreira salienta a importância da seleção e integração das estratégias pedagógicas e das metodologias de ensino como base para a incorporação eficaz das tecnologias digitais. De que forma podemos ajudar os professores a compreender que é possível conjugar abordagens de ensino tradicionais e ferramentas digitais para criar ambientes de aprendizagem blended, que sejam cativantes para os alunos?

- Como é que a formação de professores pode contribuir, em termos de promoção do desenvolvimento profissional dos docentes, no que respeita à aquisição das competências e conhecimentos necessários para integrar eficazmente as tecnologias digitais nas suas práticas?

- Numa sociedade que se tem vindo a tornar progressivamente mais digital, que medidas pode a Escola tomar para garantir um acesso equitativo às tecnologias e recursos digitais a todos os seus alunos, minimizando as desigualdades resultantes da sua situação socioeconómica?