Na
primeira semana de março fomos desafiados pelo Professor António Moreira a
refletir e discutir o tema que dá título a este post, tendo como ponto de
partida a questão:
Que pressupostos e critérios
devemos usar para selecionar as plataformas e as tecnologias digitais mais
adequadas para desenvolver o processo de ensino e aprendizagem?
A discussão foi muito participada, tendo
havido troca de opiniões pessoais, argumentações mais ou menos fundamentadas em
autores que lemos, e algumas intervenções do professor que nos levaram a
aprofundar mais determinados ou conceitos ou a esclarecer ideias e posições que
estavam a ser defendidas.
O Pedro iniciou a discussão, salientando a
importância do ensino híbrido e sugerindo alguns pressupostos cruciais para a
seleção de plataformas, incluindo objetivos de aprendizagem claros, adequação e
alinhamento com as metas de aprendizagem, necessidade de garantir a
acessibilidade e usabilidade, fiabilidade e segurança das plataformas, apoio
técnico e análise de custos.
A Leila também se baseou no conceito de blended
learning, destacando a necessidade de
combinar diferentes espaços, metodologias e tecnologias no processo de
ensino-aprendizagem. Referiu que as aprendizagens fora do ambiente escolar
sempre existiram, mas que a internet tornou fundamental que se eduque para a
análise crítica das informações que proliferam. Destacou ainda a importância do
papel dos professores na seleção de plataformas e tecnologias adequadas e
mencionou a importância da comunicação, interação, colaboração muito
fundamentada nas pedagogias socio construtivistas e conectivista.
A Sónia Afonso também apoiou a ideia de que a
educação deve ser híbrida, combinando a presença física e a digital, a
aprendizagem síncrona e a assíncrona e as tecnologias analógicas e digitais. Considerou
que a interatividade e a flexibilidade dos conteúdos, do tempo e das
plataformas são também determinantes para o sucesso dos alunos, principalmente
se acompanhadas da presença digital dos professores, fator crucial para manter
a motivação e a interação social dos alunos em ambientes de aprendizagem
digital.
O Deric concordou com a perspetiva de Leila
sobre a utilização de plataformas de redes sociais nas aulas, considerando
que os professores devem usar
plataformas abertas, defendendo a criação de alternativas abertas pelo governo,
preocupando-o a falta de regulamentação e de respeito pela privacidade de dados
pessoais nas plataformas onde os educadores utilizam dados dos seus alunos.
A este propósito, o Professor António Moreira
recordou a importância de se criarem ecossistemas educativos seguros, referindo
que o professor, ao criar espaços de aprendizagem online, precisa de ter em
conta os potenciais riscos de segurança, e que é necessário refletir sobre as
implicações da abertura total dos ambientes educativos.
A discussão prosseguiu com os intervenientes
a concordarem na generalidade com os pressupostos e princípios inicialmente
apontados pelo Pedro, havendo referências à importância da intencionalidade
pedagógica na seleção e uso de tecnologias e plataformas digitais na educação,
considerando-se fundamental que os professores definam os objetivos que
pretendem que os alunos atinjam e, em função disso, escolham os recursos, analógicos
ou digitais, que estejam alinhados com esses objetivos.
Foi também referida a importância da
personalização da aprendizagem e da acessibilidade na integração das
tecnologias digitais. As plataformas e tecnologias devem ser escolhidas de
forma a atender às necessidades educativas individuais de cada aluno e é necessário
garantir que são acessíveis a todos os alunos, considerando as suas capacidades
ou limitações pessoais, bem como a facilidade de acesso à própria tecnologia.
A formação dos professores foi também
referida como sendo crucial para que se dê a integração eficaz das tecnologias
digitais na educação. Os professores precisam receber formação adequada não
apenas sobre as competências técnicas, mas também sobre como integrar
efetivamente as tecnologias nas suas práticas de ensino.
Ainda em relação às ideias inicialmente
lançadas pelo Pedro, foi também discutida a relevância dos jogos online e da realidade
imersiva enquanto componentes dos AVA eficazes, relativamente à qual não se
chegou a um consenso. Por um lado, é reconhecido o valor dos jogos e ambientes
imersivos para motivar os alunos, por outro é preciso enfatizar que, para que
estes possam de facto apoiar a aprendizagem dos alunos, é necessário que a sua
utilização esteja revestida de uma abordagem pedagógica adequada.
Em jeito de conclusão e resumo, pode dizer-se
que desta discussão se concluiu que para selecionar as plataformas e as
tecnologias digitais mais adequadas para desenvolver o processo de ensino e
aprendizagem devemos privilegiar a intencionalidade pedagógica, a personalização
da aprendizagem e a acessibilidade; e que para que tal aconteça, é necessário
criar condições ao nível da formação de professores e promover a reflexão sobre
as práticas atuais na integração de tecnologias digitais na educação.
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