terça-feira, 18 de abril de 2023

Ecossistemas Digitais em Rede – Discussão na Sala de Aula Virtual (parte 3)

 

Continuando a análise e comentário das intervenções dos meus colegas de curso na discussão na sala de aula virtual, vou referir agora o contributo da Maria Vinagre, que começou por focar a sua intervenção na importância da interação no funcionamento de ecossistemas de educação digital em rede, que considera terem o potencial de romper com o ensino tradicional.

Fundamentou-se na bibliografia recomendada, destacando que, segundo os autores Schlemmer e Moreira (2019), a educação na rede exige uma abordagem pedagógica diferenciada, uma vez que o estudante do século XXI está cada vez mais habituado a pesquisar na internet, a utilizar redes sociais e a aprender através de plataformas digitais, pelo que se torna essencial criar ambientes de aprendizagem que possam contribuir para a promoção do conhecimento, das ideias e do espírito empreendedor.

Refere o modelo pedagógico virtual "Community of Inquiry" proposto por Garrison, Anderson e Archer (2000), que se destaca pela promoção de uma experiência colaborativa e cooperativa, intersecionando os planos social, cognitivo e de ensino.

Concordo que a ideia expressa pela Conceição, de que o professor mantém um papel fundamental dentro do ecossistema digital em rede, embora adaptado aos tempos modernos, sendo que a exposição e centralização do saber cedem lugar à gestão e orientação dos estudantes, que são, cada vez mais, protagonistas do próprio processo de aprendizagem. No entanto, considero que continua a haver situações em que os métodos expositivos podem e devem ser utilizados, dependendo da idade dos estudantes, do tema em estudo, dos objetivos da formação, etc., e que o papel do professor se deverá tornar progressivamente menos diretivo à medida que os estudantes evoluem na sua autonomia e capacidade de autoavaliação.

Tendo em vista a melhoria da qualidade do ensino, considero que é muito importante que os ecossistemas digitais em rede, independentemente das pedagogias que utilizam, proporcionem experiências de aprendizagem que sejam, simultaneamente, envolventes e significativas, de forma a atender às necessidades específicas de uma diversidade de estudantes.

Questionada acerca da visão dualista que expressou, a Conceição argumentou que a exposição continua a ser uma competência importante a ser desenvolvida pelos estudantes, mas questiona a sua eficácia como modelo pedagógico. Referiu os quatro modelos pedagógicos virtuais apresentados pelos autores Moreira, Henriques, Barros, Goulão e Caeiro (2020), que sugerem que o papel do professor está mais relacionado com a gestão e orientação do processo de aprendizagem do que com a transmissão de conhecimento, e referiu que, na sua experiência como professora e estudante em ambientes virtuais, os professores têm um papel mais ativo na promoção da pesquisa, discussão e produção de conhecimento do que na exposição direta.

Partilho da mesma ideia relativamente à minha experiência enquanto estudante neste curso de mestrado, mas vivi situações bastantes diversas enquanto frequentei outros níveis de ensino, pelo que não consigo ser tão categórica.

Também sou docente e valorizo muito a aprendizagem em interação, mas tento sempre alternar espaços e tempos de trabalho autónomo, trabalho colaborativo e de exposição, numas vezes atuando como orientadora pouco interventiva, noutras orquestrando a discussão coletiva em sala de aula, e noutras ainda assumindo uma postura mais expositiva e supervisiva.

Penso que, da mesma forma que integramos o digital com o analógico, temos de encontrar formas de integrar ferramentas, metodologias e abordagens pedagógicas que nos permitam diferenciar, motivar os alunos e potenciar o seu sucesso.

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