Continuando a análise e
comentário das intervenções dos meus colegas de curso na discussão na sala de aula
virtual, vou referir agora o contributo da Maria Vinagre, que começou por focar
a sua intervenção na importância da interação no funcionamento de ecossistemas
de educação digital em rede, que considera terem o potencial de romper com o
ensino tradicional.
Fundamentou-se na bibliografia
recomendada, destacando que, segundo os autores Schlemmer e Moreira (2019), a
educação na rede exige uma abordagem pedagógica diferenciada, uma vez que o
estudante do século XXI está cada vez mais habituado a pesquisar na internet, a
utilizar redes sociais e a aprender através de plataformas digitais, pelo que
se torna essencial criar ambientes de aprendizagem que possam contribuir para a
promoção do conhecimento, das ideias e do espírito empreendedor.
Refere o modelo pedagógico
virtual "Community of Inquiry" proposto por Garrison, Anderson e
Archer (2000), que se destaca pela promoção de uma experiência colaborativa e
cooperativa, intersecionando os planos social, cognitivo e de ensino.
Concordo
que a ideia expressa pela Conceição, de que o professor mantém um papel
fundamental dentro do ecossistema digital em rede, embora adaptado aos tempos
modernos, sendo que a exposição e centralização do saber cedem lugar à gestão e
orientação dos estudantes, que são, cada vez mais, protagonistas do próprio
processo de aprendizagem. No entanto, considero que continua a haver situações
em que os métodos expositivos podem e devem ser utilizados, dependendo da idade
dos estudantes, do tema em estudo, dos objetivos da formação, etc., e que o
papel do professor se deverá tornar progressivamente menos diretivo à medida
que os estudantes evoluem na sua autonomia e capacidade de autoavaliação.
Tendo
em vista a melhoria da qualidade do ensino, considero que é muito importante
que os ecossistemas digitais em rede, independentemente das pedagogias que
utilizam, proporcionem experiências de aprendizagem que sejam, simultaneamente,
envolventes e significativas, de forma a atender às necessidades específicas de
uma diversidade de estudantes.
Questionada
acerca da visão dualista que expressou, a Conceição argumentou que a exposição
continua a ser uma competência importante a ser desenvolvida pelos estudantes,
mas questiona a sua eficácia como modelo pedagógico. Referiu os quatro modelos
pedagógicos virtuais apresentados pelos autores Moreira, Henriques, Barros,
Goulão e Caeiro (2020), que sugerem que o papel do professor está mais
relacionado com a gestão e orientação do processo de aprendizagem do que com a
transmissão de conhecimento, e referiu que, na sua experiência como professora
e estudante em ambientes virtuais, os professores têm um papel mais ativo na
promoção da pesquisa, discussão e produção de conhecimento do que na exposição
direta.
Partilho
da mesma ideia relativamente à minha experiência enquanto estudante neste curso
de mestrado, mas vivi situações bastantes diversas enquanto frequentei outros
níveis de ensino, pelo que não consigo ser tão categórica.
Também
sou docente e valorizo muito a aprendizagem em interação, mas tento sempre
alternar espaços e tempos de trabalho autónomo, trabalho colaborativo e de
exposição, numas vezes atuando como orientadora pouco interventiva, noutras
orquestrando a discussão coletiva em sala de aula, e noutras ainda assumindo
uma postura mais expositiva e supervisiva.
Penso
que, da mesma forma que integramos o digital com o analógico, temos de
encontrar formas de integrar ferramentas, metodologias e abordagens pedagógicas
que nos permitam diferenciar, motivar os alunos e potenciar o seu sucesso.
Sem comentários:
Enviar um comentário