Na sequência do post
anterior, e dado que não me foi possível colaborar na discussão enquanto ela
decorreu, vou salientar e comentar acerca dos aspetos que considerei mais
interessantes e enriquecedores que foram debatidos.
A primeira intervenção (Pedro Videira) começou
por lançar uma ideia muito interessante, a de que o ecossistema digital é um
"habitat" onde todas as gerações futuras irão viver, incluindo os
atores humanos (AH) e os atores não humanos (ANH), e está em constante
evolução.
Nunca tinha pensado nesta analogia com um habitat, mas
agora parece-me extremamente adequada. De facto, os estudantes vivem cada vez
mais imersos em tecnologias digitais com as quais interagem, acabando por estabelecer
relações pessoais e profissionais através dessas tecnologias, ou até mesmo,
estabelecer relações de aprendizagem humano-máquina. Tal como um ecossistema,
que vai mudando e evoluindo com o tempo e as interações entre os seus
habitantes, também estes ambientes de aprendizagem podem assumir diferentes
configuração, adaptando-se aos objetivos e às necessidades dos seus habitantes:
estudantes, professores, mentores, outros especialistas, administradores de
sistemas ou outras organizações que colaboram com as instituições educativas. Dentro
desse ecossistema digital, por exemplo, esta plataforma moodle, podem ser criados
diferentes ambientes de aprendizagem, um dos quais esta Sala de Aula Virtual
onde trocamos ideias e aprendemos uns com os outros.
O Pedro refere também que (nesse futuro) os ambientes
digitais serão híbridos, fluidos e interligados por redes de relações, criando
um habitar “atópico", sendo que este hibridismo potencia as interações
entre atores humanos e não humanos através de tecnologias analógicas ou
digitais. Por fim, refere ainda o papel de destaque da Universidade Aberta
(UAb) enquanto precursora de ambientes virtuais de aprendizagem, baseados em
princípios como ensino centrado no estudante, flexibilidade de acesso à
aprendizagem, interação diversificada e inclusão digital.
A meu ver, este futuro está ainda longe de chegar às escolas
em Portugal, apesar de estar em marcha um plano para promover a sua
digitalização. Para que se possam efetivamente criar ecossistemas digitais em
rede nas escolas é necessário fazer compreender a todos os intervenientes (ou habitantes!)
que a tecnologia por si só não é garantia de qualidade, nem de inovação, e que
só pondo o digital ao serviço da pedagogia se poderão melhorar práticas de
ensino e de aprendizagem. Nesse futuro, que também imagino híbrido, deveria ser
possível conceder autonomia aos docentes e às escolas para conseguirem integrar
as componentes físicas e virtuais do trabalho, quer dos alunos quer dos docentes.
Sem comentários:
Enviar um comentário