segunda-feira, 17 de abril de 2023

Ecossistemas Digitais em Rede – Discussão na Sala de Aula Virtual (parte 2)

 

Na sequência do post anterior, e dado que não me foi possível colaborar na discussão enquanto ela decorreu, vou salientar e comentar acerca dos aspetos que considerei mais interessantes e enriquecedores que foram debatidos.

A primeira intervenção (Pedro Videira) começou por lançar uma ideia muito interessante, a de que o ecossistema digital é um "habitat" onde todas as gerações futuras irão viver, incluindo os atores humanos (AH) e os atores não humanos (ANH), e está em constante evolução.

Nunca tinha pensado nesta analogia com um habitat, mas agora parece-me extremamente adequada. De facto, os estudantes vivem cada vez mais imersos em tecnologias digitais com as quais interagem, acabando por estabelecer relações pessoais e profissionais através dessas tecnologias, ou até mesmo, estabelecer relações de aprendizagem humano-máquina. Tal como um ecossistema, que vai mudando e evoluindo com o tempo e as interações entre os seus habitantes, também estes ambientes de aprendizagem podem assumir diferentes configuração, adaptando-se aos objetivos e às necessidades dos seus habitantes: estudantes, professores, mentores, outros especialistas, administradores de sistemas ou outras organizações que colaboram com as instituições educativas. Dentro desse ecossistema digital, por exemplo, esta plataforma moodle, podem ser criados diferentes ambientes de aprendizagem, um dos quais esta Sala de Aula Virtual onde trocamos ideias e aprendemos uns com os outros.

O Pedro refere também que (nesse futuro) os ambientes digitais serão híbridos, fluidos e interligados por redes de relações, criando um habitar “atópico", sendo que este hibridismo potencia as interações entre atores humanos e não humanos através de tecnologias analógicas ou digitais. Por fim, refere ainda o papel de destaque da Universidade Aberta (UAb) enquanto precursora de ambientes virtuais de aprendizagem, baseados em princípios como ensino centrado no estudante, flexibilidade de acesso à aprendizagem, interação diversificada e inclusão digital.

A meu ver, este futuro está ainda longe de chegar às escolas em Portugal, apesar de estar em marcha um plano para promover a sua digitalização. Para que se possam efetivamente criar ecossistemas digitais em rede nas escolas é necessário fazer compreender a todos os intervenientes (ou habitantes!) que a tecnologia por si só não é garantia de qualidade, nem de inovação, e que só pondo o digital ao serviço da pedagogia se poderão melhorar práticas de ensino e de aprendizagem. Nesse futuro, que também imagino híbrido, deveria ser possível conceder autonomia aos docentes e às escolas para conseguirem integrar as componentes físicas e virtuais do trabalho, quer dos alunos quer dos docentes.

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