domingo, 2 de julho de 2023

Afetividade das interações em Ambientes Virtuais de Aprendizagem

 

Análise de texto e reflexão baseada em:

Silva, P. C. D., Shitsuka, R., & Paschoal, P. A. G. (2015). Afetividade nas interações em AVA: um estudo sobre a interação na educação a distância. Associação Brasileira de Educação a Distância, 14.

 

Tendo vindo a ler e refletir sobre a importância do jogo, das redes sociais, da interação social, da componente lúdica, etc. na educação e o seu contributo para a motivação e envolvimento dos estudantes na aprendizagem, resolvi pesquisar sobre a componente de afetividade na interação em Ambientes Virtuais de Aprendizagem e deparei-me com o texto acima referido, que considero muito interessante.

Este documento refere-se a um estudo que aborda a importância da interação e da afetividade em ambientes virtuais de aprendizagem no âmbito do ensino a distância. Apresenta a análise da forma como os alunos se sentem mais seguros e se exprimem com mais autonomia nas aulas online do que nas aulas presenciais tradicionais, realça o papel da afetividade na melhoria da experiência de aprendizagem e sugere a integração da mesma na planificação de cursos online.

 

Aspetos a destacar da leitura e análise que fiz:

 

Potencialidades do eLearning

O ensino online apresenta algumas vantagens relativamente ao ensino presencial tradicional no que se refere à interação entre os participantes, verificando-se uma tendência para a utilização de ambientes virtuais de aprendizagem seja num contexto puramente a distância, seja em situações de ensino híbrido.

A este propósito, penso que é relevante refletirmos sobre a forma como a mudança para ambientes virtuais de aprendizagem tem impacto na acessibilidade ao ensino e quais as vantagens do ensino a distância em comparação com as aulas presenciais tradicionais.

 

A importância da afetividade na aprendizagem online

O texto apresenta algumas reflexões acerca da afetividade nas interações em ambientes virtuais de aprendizagem, nomeadamente acerca da forma como se processa a interação entre os professores/tutores e os estudantes, e a forma como ela influencia o seu desempenho académico.

Penso que este é o ponto de partida para refletirmos sobre duas questões importantes.  A primeira envolve perceber de que forma a nossa interação online, enquanto professores em contexto de ensino a distância, contribui para a motivação e para o empenho dos nossos alunos. A segunda é tentarmos perceber que estratégias podemos usar de forma a criar um ambiente de aprendizagem online que proporcione relações interpessoais de confiança e entreajuda.

 

Perspetivas dos estudantes

No texto são incluídas as perspetivas de alguns estudantes relativamente à sua frequência de cursos online. Curiosamente (pelo menos, eu não estava à espera de encontrar reações tão favoráveis) a maioria relata experiências de aprendizagem muito positivas do ponto de vista da afetividade que se refletiram na sua motivação, confiança nas interações online e sensação de liberdade e autonomia. São ainda referidas vantagens em termos de facilidade de acesso aos materiais e recursos e à melhoria das competências de escrita. Os alunos referem ainda que há uma menor inibição em situações de trabalho assíncrono porque, por um lado não estão na presença do professor, e por outro pela liberdade de participar em qualquer altura.

Acerca deste assunto, houve duas questões que me surgiram, e sobre as quais precisarei de continuar a refletir:

- De que forma é que os AVA podem contribuir para que alunos mais tímidos melhorem a sua confiança e se sintam confortáveis para participar de forma mais ativa nas atividades de aprendizagem e exprimir-se livremente?

- Que tipo de atividades online podemos criar para promover o desenvolvimento de competências de escrita, da capacidade de argumentação e de melhoria da comunicação (matemática, no meu caso específico) dos alunos?

 

Interação presencial

Apesar de todas as vantagens enunciadas acima para a aprendizagem online, os próprios estudantes reconhecem que a interação presencial também tem aspetos positivos que se perdem no ensino a distância, referindo que o contacto inicial presencial pode contribuir para facilitar o estabelecimento de uma relação pessoal de confiança. No entanto, nenhum dos alunos entrevistados considerou este aspeto fundamental para o seu sucesso nesta modalidade de ensino (a distância).

Penso que podemos então refletir sobre a forma como, nos ambientes híbridos de aprendizagem, conseguimos tirar o melhor partido das diferentes formas de interação entre os participantes, e também pensar em estratégias que, no ensino online, possam compensar a falta de interação presencial e proporcionar o estabelecimento de relações de afetividade significativas entre os participantes.

 

Abordagem Construtivista:

De um modo geral penso que este texto realça a importância de, ao criarmos os ambientes virtuais de aprendizagem, fundamentarmos as nossas opções pedagógicas e tecnológicas numa perspetiva construtivista. O capítulo destaca a importância de construir ambientes e relações de aprendizagem virtuais com base numa perspetiva construtivista, nunca esquecendo o papel da interatividade e da afetividade como elemento fundamental de uma educação de qualidade.

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